
Megaoperação do Gaeco cumpre 559 mandados em quatro estados e mira facção criminosa com atuação dentro de presídios
No Paraná, principal foco da operação, os mandados foram cumpridos em 34 municípios, entre eles Curitiba, Cascavel, Londrina, Maringá, Foz do Iguaçu e Francisco Beltrão
15/06/2026por Portal do RomeuUma das maiores ofensivas já realizadas contra o crime organizado no Paraná foi deflagrada nesta segunda-feira (15). O Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), do Ministério Público do Paraná, colocou nas ruas a Operação Panóptico (Convergência Nacional PR-01), com o cumprimento de 559 mandados judiciais em quatro estados brasileiros.
Ao todo, foram expedidos 304 mandados de prisão e 255 de busca e apreensão contra integrantes de uma organização criminosa de atuação nacional, que, segundo as investigações, mantém suas atividades coordenadas a partir de unidades prisionais.
A operação ocorreu simultaneamente no Paraná, São Paulo, Santa Catarina e Mato Grosso do Sul, mobilizando aproximadamente mil policiais de 204 equipes. A ação contou com a integração das forças de segurança estaduais, incluindo Polícia Militar, Polícia Civil, Polícia Penal e Polícia Científica.
No Paraná, principal foco da operação, os mandados foram cumpridos em 34 municípios, entre eles Curitiba, Cascavel, Londrina, Maringá, Foz do Iguaçu, Francisco Beltrão, Guarapuava, Paranaguá e Ponta Grossa. Também houve diligências em cidades dos outros três estados.
O objetivo é atingir o maior número possível de integrantes da facção, interrompendo suas atividades criminosas, reunindo novas provas e aprofundando investigações sobre outros delitos relacionados ao grupo. Parte significativa das ordens judiciais foi executada dentro de presídios, onde foram cumpridos 176 mandados de prisão e 92 de busca e apreensão.
As investigações são resultado de um trabalho desenvolvido pelos dez núcleos do Gaeco no Paraná desde o final de 2025, com medidas autorizadas por diferentes órgãos do Poder Judiciário.
De acordo com o balanço parcial divulgado pelas autoridades, cerca de 90% dos mandados já haviam sido cumpridos até o início da manhã. O índice de sucesso foi de 100% nas ações realizadas dentro dos estabelecimentos prisionais.
Além das prisões, a operação resultou na apreensão de aproximadamente 1,2 quilo de cocaína, 670 gramas de crack e 700 gramas de maconha. As equipes também recolheram oito armas de fogo, munições, carregadores e cerca de R$ 12 mil em dinheiro.
Outro destaque da operação foi a localização, em Curitiba, de um imóvel utilizado para a preparação e manipulação de drogas, equipado com prensa e materiais específicos para o fracionamento de entorpecentes. Também foi encontrado um dispositivo capaz de bloquear sinais de tornozeleiras eletrônicas, equipamento frequentemente associado à tentativa de burlar a fiscalização penal.
Durante as diligências, quatro pessoas foram presas em flagrante por tráfico de drogas e duas por obstrução à Justiça, após a destruição de aparelhos celulares.
Dois confrontos foram registrados durante a operação. Em Cambé, um homem que possuía dois mandados de prisão em aberto morreu após reagir à abordagem policial. Na ação, um policial militar foi atingido na mão e sofreu uma lesão ocular, mas recebeu atendimento médico e não corre risco. Em Nova Londrina, outro suspeito procurado por integrar a organização criminosa também morreu após reagir à intervenção policial.
As autoridades destacam que os números ainda são preliminares e poderão ser atualizados ao longo do dia, já que equipes permanecem em diligências em diversas regiões.
O nome da operação, Panóptico, faz referência ao conceito de vigilância constante popularizado pelo sociólogo Michel Foucault na obra "Vigiar e Punir", simbolizando a capacidade de monitoramento permanente sobre as atividades da organização criminosa investigada.




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