
Do resgate à investigação: mulheres ocupam cada vez mais espaço na segurança pública do Paraná
Paraná tem hoje o maior número de mulheres da história atuando nas polícias, bombeiros e perícia.
09/03/2026por Portal do RomeuQuando o alarme toca no quartel do Corpo de Bombeiros no bairro Portão, em Curitiba, a sargento Josiane Aparecida Luchetta assume uma função que até pouco tempo era quase exclusiva de homens: dirigir um caminhão de combate a incêndio.
Ela é responsável por conduzir a Auto Plataforma Mecânica, viatura utilizada em incêndios e resgates em altura.
A trajetória da bombeira representa uma mudança que vem ocorrendo na segurança pública do Paraná. Atualmente, cerca de 4,5 mil mulheres atuam nas polícias Militar, Civil, Penal e Científica, além do Corpo de Bombeiros — o maior número da história do Estado.
Vocação para salvar vidas
Antes de vestir a farda, Josiane trabalhava como enfermeira. O interesse pelo atendimento de emergência e o incentivo da irmã, que também ingressou na corporação, fizeram com que ela prestasse concurso para os bombeiros.
Hoje, após 12 anos de carreira, ela diz que dirigir um caminhão de resgate não estava nos planos. “Ser condutora nunca fez parte dos meus planos profissionais, mas hoje posso dizer que amo o que faço. A responsabilidade é grande para chegar rápido à ocorrência e garantir segurança para todos”, afirma.
Presença feminina cresce nas corporações
No Corpo de Bombeiros do Paraná, a presença feminina é relativamente recente. A primeira turma formada por homens e mulheres foi criada em 2005.
Desde então, bombeiras passaram a atuar em diferentes frentes, como combate a incêndios, salvamentos e atendimento pré-hospitalar.
Mulheres também nas ruas e na proteção de vítimas
Na Polícia Militar, a major Carolina Pauleto Ferraz Zancan coordena a Patrulha Maria da Penha, que acompanha mulheres vítimas de violência doméstica.
Segundo ela, trabalhar em uma instituição historicamente masculina ainda traz desafios. “Existe uma cobrança maior sobre as mulheres, especialmente quando somos mães. Mesmo assim seguimos firmes porque temos compromisso com a vida”, afirma.
Investigação e operações especiais
Na Polícia Civil, a agente Carla de Cássia Soares Gonçalves soma 12 anos de carreira e já atuou na Divisão de Homicídios e Proteção à Pessoa.
Ela também integrou o Centro de Operações Policiais Especiais (COPE), uma das unidades mais exigentes da corporação. Quando entrou na equipe, era a única mulher entre mais de dez policiais homens.
Recentemente, passou a atuar no Núcleo de Operações com Cães, setor que participa de operações de busca por drogas e armas. “No trabalho operacional a cobrança é grande, mas preparo e disciplina fazem a diferença”, afirma.
Mulheres na ciência e na gestão
A presença feminina também cresce nas áreas técnicas e de liderança.
Na Polícia Científica, a perita Nadir de Oliveira Vargas trabalha há mais de 30 anos na análise de documentos e assinaturas que ajudam a esclarecer crimes. Ela afirma que a participação feminina aumentou muito ao longo das últimas décadas. “Muitas vezes são pequenos detalhes que ajudam a resolver um caso. A perícia é a ciência dos detalhes”, explica.
Já na Polícia Penal, Ananda Chalegre se tornou a primeira mulher policial penal a comandar a instituição no Paraná. Com cerca de 20 anos de carreira, ela destaca que liderança não depende de gênero. “Gestão é questão de competência e profissionalismo”, afirma.




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