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Após caso em Francisco Beltrão, APPsiq alerta para consequências da violência na primeira infância

Em posicionamento, a Associação Paranaense de Psiquiatria explica como o trauma afeta o desenvolvimento infantil e destaca que o cuidado com a saúde mental das famílias é essencial para prevenir novos casos.

13/07/2026por Portal do Romeu

O caso de violência contra duas crianças, de 3 e 5 anos, investigado pela Polícia Civil em Francisco Beltrão, no Sudoeste do Paraná, acende um alerta sobre os impactos da violência na primeira infância. Em manifestação, a Associação Paranaense de Psiquiatria (APPsiq) destaca que episódios dessa natureza ultrapassam a esfera criminal e representam um grave problema de saúde pública, exigindo atenção da sociedade e o fortalecimento das redes de proteção à infância.

A presidente da APPsiq, Dra. Ana Camila Cabeço, afirma que a primeira infância é um período decisivo para o desenvolvimento cerebral e emocional e que qualquer forma de violência pode deixar consequências profundas e duradouras.

"Esse caso reforça a necessidade de tratarmos a violência contra crianças como um grave problema de saúde pública, e não apenas como uma questão familiar ou jurídica. Também evidencia a importância da identificação precoce dos fatores de risco, do fortalecimento da rede de proteção e do apoio às famílias antes que situações de violência aconteçam", afirma.

Segundo a psiquiatra, crianças submetidas a agressões físicas ou castigos recorrentes podem desenvolver medo constante, ansiedade, insegurança, dificuldade para confiar nos adultos, alterações no sono, regressão no desenvolvimento, prejuízos na autoestima e dificuldades futuras no aprendizado e nos relacionamentos.

Além dos impactos emocionais, a violência também pode afetar o desenvolvimento do cérebro. De acordo com a especialista, estudos científicos demonstram que o chamado estresse tóxico provocado pela exposição repetida à violência pode comprometer áreas responsáveis pelo controle das emoções, memória, aprendizagem e resposta ao estresse, além de dificultar a construção de vínculos afetivos seguros.

A APPsiq ressalta ainda que experiências traumáticas na infância aumentam o risco para transtornos como ansiedade, depressão, transtorno de estresse pós-traumático, dificuldades de regulação emocional, abuso de álcool e outras drogas e maior vulnerabilidade ao comportamento suicida. No entanto, a entidade destaca que a proteção, o acolhimento e o tratamento adequado podem reduzir significativamente esses impactos.

Outro ponto enfatizado pela associação é a importância de cuidar da saúde mental dos próprios pais e responsáveis. Conforme a presidente da APPsiq, reconhecer sinais de sobrecarga emocional, irritabilidade frequente, dificuldade para controlar a raiva ou a sensação de que pode perder o controle diante dos filhos é um passo fundamental para prevenir situações de violência.

"O ideal é buscar ajuda antes que a violência aconteça. O cuidado com a saúde mental dos cuidadores também é uma forma de proteger as crianças", reforça a Dra. Ana Camila.

A entidade também alerta que castigos físicos ou humilhantes não são formas eficazes de educação e estão associados a prejuízos emocionais e comportamentais. A orientação é que os limites sejam estabelecidos por meio do diálogo, do acolhimento e de estratégias disciplinares positivas, sem recorrer à violência.

Para a APPsiq, proteger a infância é uma responsabilidade coletiva. "Toda criança tem direito a crescer em um ambiente seguro, afetuoso e livre de qualquer forma de violência. Investir na saúde mental das famílias é uma das estratégias mais eficazes para prevenir novos casos e promover um desenvolvimento saudável das crianças", conclui a presidente da Associação Paranaense de Psiquiatria.