
Arraiá pesa menos no orçamento: inflação da cesta junina desacelera em 2026
Apesar do aumento nos preços de diversos produtos, índice caiu de 7,27% para 3,59% em um ano, trazendo mais equilíbrio para as comemorações.
16/06/2026por Portal do RomeuAs tradicionais festas juninas continuam exigindo atenção dos consumidores na hora das compras. A boa notícia é que, apesar dos preços seguirem em alta, o impacto no orçamento das famílias está menor do que o registrado no ano passado.
Levantamento especial da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Paraná (Fecomércio PR), elaborado com base nos dados do IPCA-15 do IBGE, revela que a chamada Cesta Junina acumulou inflação de 3,59% nos últimos 12 meses em Curitiba e Região Metropolitana. O índice representa praticamente metade da alta registrada no mesmo período de 2025, quando chegou a 7,27%.
O resultado mostra que quermesses, arraiais e encontros familiares continuam sentindo os efeitos da inflação, mas em um ritmo mais moderado. A variação também ficou próxima da inflação geral da região, que acumulou 3,37% no período.
Segundo o assessor econômico da Fecomércio PR, Lucas Dezordi, o cenário reflete uma desaceleração dos preços, embora o custo de vida ainda permaneça pressionado. “A inflação da cesta junina acumulou 3,59% nos últimos 12 meses. É um resultado menor do que o observado em 2025, quando chegou a 7,27%. Houve uma desaceleração da inflação, mas o custo de vida continua sendo pressionado”, avalia.
Cenoura lidera disparada de preços
Entre os produtos pesquisados, a cenoura foi a principal vilã dos festejos juninos deste ano. O item acumulou alta de impressionantes 107,71% nos últimos 12 meses, mais do que dobrando de preço.
Na sequência aparecem a cebola, com aumento de 34,24%, e o chocolate em barra e bombom, que ficou 20,98% mais caro. Também registraram aumentos expressivos o cheiro-verde (+12,43%), balas (+10,63%), fermento (+10,57%) e margarina (+10,47%).
De acordo com Dezordi, o comportamento dos preços acompanha a tendência observada em todo o país. “Em Curitiba e Região Metropolitana, os itens que mais subiram de preço foram cenoura, cebola, chocolate, cheiro-verde, balas, fermento, margarina, carnes em geral, leite longa vida e cerveja. É um movimento que acompanha o cenário nacional”, explica.
Doces típicos ganham reforço dos preços menores
Nem tudo ficou mais caro para quem pretende manter viva a tradição junina. Alguns ingredientes fundamentais para receitas típicas registraram queda de preços e ajudaram a conter o avanço da inflação.
A maçã, protagonista da tradicional maçã do amor, ficou 5,49% mais barata nos últimos 12 meses. Já o açúcar refinado apresentou redução de 10,44%, enquanto o açúcar cristal caiu 14,21%, favorecendo o preparo de doces como pé de moleque, cocadas e outras delícias típicas.
Outro destaque é o milho em grão, ingrediente indispensável em receitas como curau, pamonha e bolo de milho, que acumulou queda de 7,07%.
Também ficaram mais baratos itens como arroz (-22,43%), alho (-15,07%), linguiça (-7,61%), farinha de trigo (-2,03%) e queijo (-1,99%).
Para o economista, a redução desses produtos foi decisiva para evitar uma inflação ainda maior. “São itens muito presentes nas receitas típicas desta época do ano e que ajudaram a conter o avanço dos preços da cesta junina”, observa.
A avaliação da Fecomércio PR é que os consumidores encontrarão um cenário mais equilibrado para as comemorações de 2026. Embora a cesta junina continue registrando inflação positiva, a desaceleração dos reajustes e a queda nos preços de ingredientes importantes ajudam a aliviar a pressão sobre o orçamento das famílias e permitem celebrar a temporada mais tradicional do inverno brasileiro com um pouco mais de tranquilidade.




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